Lançamento

O Núcleo de Apoio à Inclusão Digital foi formalmente criado em Outubro de 2005, na sequência da candidatura ao Programa Operacional Sociedade do Conhecimento – medida 4.2, como uma acção explicitamente referenciada no Programa Nacional para a Participação dos Cidadãos com Necessidades Especiais na Sociedade da Informação, aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros 110/2003, de 12 de Agosto. 

O Projecto visou, desde o seu início, dotar a Escola Superior de Educação de uma estrutura vocacionada para o apoio a cidadãos com necessidades especiais, directa ou indirectamente relacionados com a instituição, potenciando a sua participação na Sociedade da Informação através do acesso a equipamentos específicos e estratégias de acessibilidade adequadas no âmbito das Tecnologias da Informação e da Comunicação. 

Na sua origem estiveram diversos projectos desenvolvidos no âmbito das TIC, junto de crianças em situação de isolamento por doença prolongada (Instituto Português de Oncologia), que utilizaram recursos telemáticos como forma de garantir o contacto com a Escola, os amigos ou mesmo a família. As experiências vivenciadas foram catalisadoras de uma nova atitude perante as tecnologias e permitiram descobrir o alcance da utilização das TIC como forma de ultrapassar ou compensar incapacidades ou situações de desvantagem social. 
Diversos contactos posteriores com entidades relacionadas com o apoio à deficiência e engenharia da reabilitação, com especial relevo para o CERTIC da Universidade de Trás os Montes e Alto Douro, na pessoa do Eng. Francisco Godinho, levariam posteriormente à firme vontade de criar na Escola Superior de Educação um centro de apoio que, ao promover a inclusão de alunos/cidadãos com deficiência, respondesse também aos desígnios de responsabilidade social da própria ESE, tal como constam no seu próprio Plano de Desenvolvimento. 

Foram assim definidos os seguintes objectivos para o Centro: 

  • Prestar apoio funcional e individualizado a cidadãos com necessidades especiais na utilização das TIC, como forma de promover a sua participação plena na Sociedade da Informação, desenvolvendo sistemas de diagnóstico, prescrição e treino/formação em ajudas técnicas adequadas a cada tipo de deficiência.
  • Promover a inclusão e o sucesso escolar de alunos com necessidades especiais da ESE e também de Escolas do sistema regular de ensino, através de apoio individualizado ou acções de formação em tecnologias de apoio dirigidas aos seus professores e outros técnicos, construção/adaptação de materiais multimédia em suportes acessíveis e iniciativas de ensino/aprendizagem a distância.
  • Dinamizar canais de informação através de redes de conhecimento em suporte digital, com vista à criação de comunidades virtuais colaborativas orientadas para a reabilitação ou o desenvolvimento de práticas inclusivas.
  • Levar a cabo iniciativas de I&D destinadas a promover a cooperação entre os sectores público, privado e os utilizadores no desenvolvimento de produtos tecnologicamente avançados, adaptados aos cidadãos com necessidades especiais e em condições economicamente acessíveis.

Os objectivos formulados foram o mote para a candidatura ao já referido Programa de Apoio, mas não se poderá esquecer o importante apoio e incentivo dado pelo Conselho Directivo, na pessoa da Dra Rosário Gamboa, que desde o início entendeu este projecto como uma acção estruturante no projecto educativo da ESE.

Percurso e evolução

Em Setembro de 2005 foi dado início ao processo de instalação do Núcleo, num processo que teve tanto de inovador como de aliciante. Com o apoio incondicional do Conselho Directivo, foram definidas as principais estratégias de actuação e iniciados os primeiros contactos com pessoas e instituições ligadas à problemática da inclusão e reabilitação. 

Foi considerada a hipótese de o Núcleo vir a funcionar como uma sub-estrutura da então recém criada Unidade de Apoio à Escola Inclusiva, a cargo da Dra Manuela Ferreira e decorrente do contrato programa estabelecido com o IPP, tendo em conta que os equipamentos poderiam representar uma valência instrumental valiosa para apoio aos processos de avaliação que a UAEI desenvolve. Apesar de tal hipótese não estar ainda fora de questão, o NAID veio a ser criado como uma estrutura autónoma, uma vez que foi um projecto financiado em condições específicas, definidas no respectivo termo de aceitação. 

Foi criado um espaço próprio para a instalação do NAID na área contígua ao Centro de Recursos em Conhecimento, considerando que muitas das suas valências são comuns aos dois projectos. Foi também feito um estudo de adaptação do mesmo e adjudicado o serviço de carpintaria que viria a dar-lhe a funcionalidade necessária. Apesar de não ser muito espaçosa, a sala possuía capacidade necessária para os serviços previstos, quer a nível de apoio quer a nível de formação para pequenos grupos. As actividades que envolveram grupos alargados foram desenvolvidas no Laboratório de Informática. 

Os equipamentos foram adquiridos em conformidade com o caderno de encargos elaborado para a candidatura ao POSC, tendo sido feita a aquisição de um pacote inicial no valor de 20.000 euros. O restante material foi sendo adquirido a diversos fornecedores através de consulta directa, uma vez que cada equipamento possuía especificações técnicas diferenciadas e adequadas a diversos tipos de fornecedor. Foram adquiridos os seguintes equipamentos e consumíveis:

Planta das instalações do NAID

No que diz respeito aos recursos humanos, o projecto contou desde o início com a participação de um tiflotécnico (técnico na área da cegueira) José António Carneiro, formador em TIC na Acapo de Braga e já com larga experiência de formação e adaptação de software para invisuais e amblíopes. O facto de este colaborador possuir também uma deficiência visual (baixa visão) e ser casado com uma pessoa cega, confere-lhe uma sensibilidade especial para a problemática da cegueira e baixa-visão, conforme se veio verificar em todas as actividades que envolveram este tipo de deficiência.

Ao longo deste tempo o José António demonstrou capacidades técnicas e pedagógicas excelentes para a formação em tiflotecnia, bem como qualidades pessoais de relacionamento. Uma vez que o projecto não contemplou o financiamento de outros colaboradores, foram feitos diversos contactos e convites a pessoas ligadas a outros tipos deficiência, com vista à criação de uma equipa multidisciplinar com valências diversificadas, mas sempre numa base de colaboração eventual e não remunerada. Acima de tudo importava construir uma rede de “especialistas” no acompanhamento de vários tipos de deficiência, com vista à criação de uma eventual equipa multidisciplinar. 
No essencial, as actividades foram desenvolvidas em ambiente de franca colaboração entre o coordenador e o técnico existente, com o apoio dos técnicos do Centro de Recursos em Conhecimento, principalmente nas tarefas em que os dois centros se envolveram colaborativamente. 

Durante todo o ano de instalação, para além da aquisição dos equipamentos e treino em contexto, foi dada especial atenção ao trabalho de divulgação do Núcleo, quer a nível interno, com os alunos da formação inicial, contínua e especializada da ESE, quer com outras estruturas externas relacionadas com a instituição ou que viriam a ser conhecidas ao longo do processo de contactos. 
Enquanto decorriam algumas actividades de avaliação individual, foram feitas diversas formações em tecnologias de apoio, umas por iniciativa do próprio NAID, outras em articulação com outros projectos em que a ESE esteve envolvida, tendo sempre como pano de fundo as potencialidades da utilização das TIC em contextos educativos. 

Em Setembro de 2006 deu-se início a uma nova fase, de consolidação, que coincidiu com o fim do financiamento do Projecto. As actividades desenvolvidas até então, juntamente com uma forte aposta em áreas de formação a grupos mais alargados, justificaram a mudança de instalações e a aquisição de novos equipamentos. Numa sala ampla e adaptada para o efeito, e com a colaboração do CIESE, foram instalados 10 postos de trabalho com PCs adaptados aos diversos tipos de deficiência e montada uma rede própria para acesso a Internet e partilha de informação entre todos os postos. Foram assim criadas condições para a prática de actividades formativas e melhoradas as condições para as sessões de avaliação que vinham decorrendo, bem como para outras actividades de demonstração de práticas e equipamentos a grupos de alunos da formação inicial e contínua da Escola Superior de Educação ou mesmo grupos externos de outras instituições. 

Em Abril de 2006 o NAID recebeu um tiflotécnico estagiário da ACAPO de Braga, no âmbito do protocolo existente com esta entidade. Este estágio terminou a 31 de Julho de 2007, mas a saída do tiflotécnico José António Carneiro levou a que o mesmo estagiário (Jorge Leite) passasse a assumir as funções de tiflotécnico a partir de Outubro de 2007.

As actividades de formação e avaliação foram sendo cada vez mais numerosas e todo o staff foi adquirindo “know-how” e experiência à altura dos constantes desafios que se vão colocando. 

Em Dezembro de 2008 foi possível adquirir um vasto e variado conjunto de equipamentos e ajudas técnicas, essencialmente na área da manipulação e que viriam ao encontro de necessidades de formação edificas nos cursos de licenciatura em educação social. Esta segunda fase de apetrechamento, concedida pelo Instituto Politécnico do Porto veio, por isso, trazer um novo ímpeto que coincidiu com a contratação do nosso colaborador Rui Reisinho, um jovem com paralisia cerebral mas com muita vontade de trabalhar e ser independente. O Rui, para além de fazer a maquetagem e edição do Jornal da Escola foi ganhando competências na organização de grelhas de comunicação alternativa e aumentativa que são utilizadas no nódulos de formação. 

Foram entretanto sendo celebrados protocolos com diversas entidades em regime de parceria e, em Novembro de 2008 foi celebrado um importante protocolo de colaboração com a Direcção Regional de Educação do Norte e com os agrupamentos

  • Agrupamento de Escolas do Cerco (Porto)
  • Agrupamento de Escolas Fernando Távora (Guimarães)
  • Agrupamento de Escolas de (Cinfães)
  • Agrupamento de Escolas da Abelheira, (Viana do Castelo)
  • Agrupamento de Escolas Dr. Francisco Gonçalves Carneiro (Chaves)
  • Agrupamento de Escolas Luciano Cordeiro (Mirandela)
  • Agrupamento de Escolas Prof. Dr. Carlos Alberto Ferreira de Almeida (Santa Maria da Feira)

tendo por objecto “proporcionar aos Centros de Recursos TIC um Serviço de suporte, conducente à necessária promoção da literacia tecnológica das Comunidades Educativas, na área de abrangência dos Centros de recursos TIC, criando as condições para a constituição de uma efectiva rede de Agrupamentos de Escolas na área das Tecnologias de apoio e nos domínios do conhecimento com elas relacionadas, e uma cada vez maior qualificação da resposta educativa proporcionada aos Alunos que constituem o Grupo Alvo da educação especial”.

Os diversos apoios concedidos e as actividades de formação aos coordenadores dos Centros TIC destes agrupamentos foram um primeiro passo do regime de colaboração estabelecido que teria como contrapartidas a colocação em regime de destacamento de um docente do ensino secundário no Núcleo de Apoio a Inclusão Digital. Esse docente nunca viria a ser requisitado e , neste momento ainda aguardamos novos desenvolvimentos no que respeita a este processo. 

Já no ano lectivo de 2009/2010 o NAID, para além das actividades de demonstração e Apoio aos alunos portadores de deficiência, fez também formação em tiflotecnologia e diversas avaliações, muitas em regime de cooperação com a Unidade de Apoio à Escola Inclusiva. 

As restrições orçamentais surgidas em 2010 obrigaram a prescindir dos serviços dos técnicos até aqui envolvidos no funcionamento do Centro (Jorge Leite e Rui Reisinho) pelo que a partir de Fevereiro de 2011 o NAID passou a contar apenas com o seu coordenador, o que obrigou à paragem de muitas actividades d formação que vinham sendo proporcionadas a grupos específicos e a um abrandamento do ritmo de trabalho relativamente a outras iniciativas.